Acordei com as batidas na porta, Gustav estava no banho, fui obrigada a acordar do ótimo sono para abrir a maldita porta.
-Bom di-a! – deseja Ingrid com um tom de voz auto logo abaixando ao perceber que era eu e não Gustav. –Errei de quarto! – diz sem graça ainda estranhando.
-Entra logo! – a puxei para dentro querendo voltar a dormir.
-O que faz aqui? – pergunta se jogando na cama ao meu lado.
-Quis dormir com Gustav, não posso? – perguntei de olhos fechados.
-Nossa isso soou pervertido, mas eu te entendo! – brinca me batendo com um travesseiro.
-Me deixa dormir Ingrid! – pedi empurrando o travesseiro.
-Nada disso, vim pra tomarmos café juntos, Bill está conversando com Georg e eu quero ficar com vocês, iria te ligar pra descer, mas já que está aqui, bom pra nós! – diz feliz e contente como uma boba alegre.
-Georg está aqui? – perguntei abrindo um pouco os olhos...
Georg foi minha primeira descoberta no mundo fotográfico, ele é um dos melhores modelos de Bill, viramos melhores amigos desde então, Bill admira a força de vontade que Georg demonstra em seus trabalhos, talvez seja por isso que tanto Bill como eu o temos como nosso melhor amigo, e também como nosso irmão mais velho.
-Sim está, chegou ontem à noite! – diz pegando o telefone da recepção.
-Pra onde vai ligar? – perguntei despertando melhor.
-Pedir nosso café! Trate de acordar de vez e ir fazer sua higiene amore! – ordena dando empurradinhas em mim.
Com muito custo acabei levantando, Gustav deixou a porta aberta, somente o Box estava fechado.
Entrei despreocupada indo escovar os dentes.
A me olhar no espelho não pude resistir e deixei um sorriso aparecer no canto dos lábios, em um dia tentamos duas vezes sem nenhum resultado.
Estava me sentindo uma adolescente fazendo algo escondido dos pais, e confesso que essa sensação é maravilhosa, claro que não sou a favor da traição, mas Dan deveria ter se tocado há muito tempo que já não o amo mais.
-Dan vai descer? – pergunta Gustav saindo enrolado do Box.
-Nem, e não inventa Gustav, vamos tomar café juntos, em família! – o repreendi antes que desse a idéia para a louca da Ingrid.
-Pronto já pedi! – diz feliz a mesma entrando no banheiro para lavar as mãos. –Quando é que vai entregar as fotos para o Bill? Viajaremos de volta daqui a três dias! – diz me assustando, eu tinha um prazo de duas semanas para encontrar um modelo e Bill diminui pra menos de uma semana?
-Como? Ta louca não é? – perguntei a vendo me olhar séria.
-E por que estaria?
-Oras Ingrid, Bill me deu duas semanas, por que essa mudança drástica? – perguntei desesperada.
-Bom digamos que ele não está se dando bem com o clima espanhol! – diz fazendo cara de fresca.
Não falei mais nada, saí correndo do quarto indo atrás de Bill.
Em seu quarto o mesmo conversava animadamente com Georg tomando seu café.
-Oi minha gata! Que cara é essa? – pergunta abrindo a porta.
Meu “desespero” logo passou ao ver Georg, pulei em seu colo feliz da vida.
-Ain meu nego que saudades! – brinquei com seu apelido carinhoso.
-Saudades é pouco, mas você engordou hein moça? – comenta também brincando.
-Ah larga de ser besta, continuo a mesma gostosa de sempre! – brinquei novamente voltando minha atenção para Bill que fez logo meu rosto mudar de expressão. –Bill seu cachorro, que coisa é essa de irmos pra Alemanha daqui a três dias? – perguntei ainda no colo de Georg.
-Ah mana, digamos que não estou me sentindo bem aqui! – diz fazendo bico.
-Ah não Bill, você tem que ficar mais, aliás, já que estamos os três juntos tenho que confessar uma coisinha! – comentei vendo os dois se entreolharem.
-Terminou com o Dan? Diz que sim? – pede Georg com olhinhos pidões.
-Não! – comecei me ajeitando na cama. –Mas conheci o clone do Bill que me deixou extremamente atraída, ai gente acho que to... Que to...
-Apaixonada? – pergunta os dois em uníssono.
-Sim? – confirmei confusa.
-Por um clone do Bill? – pergunta Georg com uma das sobrancelhas erguidas
-Ah que maravilha, agora é a oportunidade de acabar com o Dan... – começa Bill ignorando o que Georg acabou de dizer, mas parando para pensar. -Não é o garoto de programa não né Alê? – continua caindo na real logo após uma pausa.
Georg nos olhou confuso e eu fiz cara de coitada para Bill.
-É! – respondi baixo vendo os olhos de Bill se arregalar.
-Sua louca e se ele tiver doenças? Se quiser te roubar...
-Não Bill, pára, você não o conhece é um doce de homem, é lindo por dentro e por fora, não fale assim dele meu anjinho! – pedi com os olhos marejados, não pelo o que Bill dissera e sim por sentir que estava ficando louca.
-Bill não é por que o cara é garoto de programa ele não presta! – repreende Georg o olhando feio.
-Si, sim Bill, e outra eu quero mudar a vida dele, estou tentando convencê-lo a fugir comigo... – comentei gaguejando no começo logo me tocando da merda que falei.
-Fugir? – pergunta mais uma vez os dois juntos.
-É que ele é submisso á “patroa” dele, e tem medo dela não o deixar virar modelo, ain a história é complicada, mas digo uma coisa Bill Kaulitz, se decidir sair do país daqui a três dias, juro que você perde uma fotógrafa! – o ameacei séria.
-Nunca mais diga isso Alessandra! – diz com a voz alterada apontando o dedo para mim.
-Então é melhor me dá mais tempo, poxa Bill preciso ajudar Tom a arrumar seus documentos, você quer ou não um novo modelo? – perguntei fazendo minha famosa carinha de coitada.
-Ok Alê, te dou mais tempo... – começa revirando os olhos. –Mas agora diga o que houve entre vocês dois? – pergunta pulando na cama.
-Então... – comecei vendo os dois me olharem atentos. –Nós dois quase... Quase ficamos sabe? – continuei não querendo falar a palavra certa.
-Quase ficaram? Desde quando você é tímida Alê? – pergunta Georg confuso.
-Tímida? A Alê? Conta outra! – debocha Bill rindo para o nada.
-Perae, em qual sentido então pensando que é esse “ficar”?
-Dar umas bitoquinhas? – pergunta Georg rindo.
-Nãããooo... Nós quase fizemos besteirinhas...
-Quase transaram Alê? Fala logo assim... – diz Bill naturalmente abrindo logo após a boca surpreso. –Vocês quase fizeram besteirinhas? – pergunta chegando bem perto de mim super curioso.
-Sim! – respondi com os olhos brilhando.
-Deus do céu! – exclama o mesmo Bill surpreso.
-Ah que massa! – comemora um agitado Georg. –Mas como assim quase? – pergunta curioso.
-Bom a primeira vez foi devido á um maldito bilhete de Dan, nós dois estávamos lá no bem bom na cama quando tive a brilhante idéia de olhar para o lado, merda! – comecei com cara de decepcionada. –E a outra vez... Ai foi quase no meio da rua, foi tão... Tão bom, mas fomos interrompidos por policiais! – finalizei imaginando a cena sorrindo como adolescente levada.
-Na rua Alessandra? Ta louca mesmo! – diz Bill balançando a cabeça em negativo.
-Caraca será que só eu aqui vejo nisso uma aventura e tanto? – alegra-se Georg mais uma vez. –Alezinha, você tem total apoio do seu nego aqui, trai o Dan com gosto amiga! – diz me fazendo rir e Bill o fuzilar com os olhos.
-Traição só atrai traição, você gostaria que no auge do “relacionamento” com o garoto de programa ela seja traída pelo mesmo? Georg não seja infantil, não percebe que ela está apaixonada por um prostituto? Não percebe que podemos vê-la sofrendo se esse cara não quiser sair dessa vida? – pergunta revoltado como se eu não estivesse ali.
-Gente não é pra tanto...
-É sim Alessandra, não a vemos há muito tempo assim entusiasmada com alguém ou algo, olhe-se no espelho, seus olhos brilham quando fala desse cara que conheceu anteontem entende meu anjo? Ele é um garoto de programa, nunca vai ser capaz de te fazer feliz! Entenda isso!
Bill tinha razão, há muito tempo não me encantava com algo, fazia as coisas por simples obrigação.
Ele conseguiu me deixar pensativa com o caso de me apaixonar por um garoto de programa, sabia que aquilo seria loucura, eu tinha noção de que a qualquer momento Tom poderia voltar a fazer seus programinhas...
-Alê? – Georg me fez despertar do transe. –Não ligue para o que esse cabeça de nada fala, você tem o poder minha deusa e sabe disso, tem o poder de fazer homens cair aos seus pés, e só não conseguiu tal feito comigo e Bill por nos conquistou com sua amizade, porquê senão juro que estaria dando em cima de você nesse exato momento! – diz me fazendo sorrir.
-A questão não é ligar para o que eu digo cara, eu me preocupo com essa louca, ok? E só quero a felicidade dela, não quero vê-la sofrer mais do que já sofreu na vida! – defende-se Bill me abraçando de lado.
-Eu agradeço a preocupação dos dois! Mas não acho que isso dure muito, deve ser apenas atração por ele ser gato, isso vai passar ok? – comentei sentindo uma pontada no peito de tristeza antes de começar a levantar.
-Não fique assim maninha, eu só estou preocupado com sua felicidade! – diz Bill percebendo minha tristeza.
-Está tudo bem, vou subir pra arrumar minhas coisas, vou fazer um trabalho fora...
-Ciúme! – interrompe Bill numa fala rápida.
-Como?
-Como pergunto eu, como assim trabalho fora? – pergunta mudando de humor repentinamente.
-Eu falei trabalho fora? Não expliquei direito. – comecei respirando fundo tentando encontrar uma desculpa. –Vou sair pra tentar colocar as coisas no lugar, sabe minha mente está confusa, vou sair com minha amiga em punho pra tirar fotos da cidade Bill, não seja chato! – respondi achando a resposta uma idiotice.
-Hmm sei, espero que seja isso mesmo viu dona Alê? Não quero traição comigo!
Às vezes Bill conseguia ser mais grudento que o Dan, mas ao contrário do insuportável do Dan, Bill é alguém que jamais terei raiva ou vontade de me afastar dele como quero me afastar de Dan.
Saí do quarto correndo para o meu, arrumei minha câmera e minhas coisas silenciosamente para Dan não acordar, me arrumei e em seguida saí para tomar café em algum lugar da cidade, só não esperava encontrar justamente ele nesse lugar...
