"Pelo o olhar dos seus olhos
Eu estou lendo sua mente
Eu sei o que você está procurando
Um amor divino...”
Get Far - All I Need
Fomos para o ponto de táxi mais próximo dali, entramos em um e partimos para um lugar mais calmo de Barcelona. Antes passamos em uma loja de doces comprando diversas besteiras, o lugar pra onde partimos era praticamente deserto, peguei o telefone do taxista e fomos para um lugar onde dava para ver uma boa parte da cidade.
Acomodamo-nos em cima de algumas folhas secas mesmo e ficamos a fitar as lindas luzes de Barcelona à noite.
-Essas balinhas são boas demais! – diz com a boca cheia de balas de goma.
-Bill é viciado nelas, acabei me viciando também! – comentei rindo da forma dele de falar com a boca cheia.
-E esse Bill, é fresco e gay como esses estilistas por aí? – pergunta dessa vez me olhando.
-Bill gay? Never! Ele é namorado da minha irmã e meu melhor amigo, conheço Bill como a palma da minha mão, tem coisas que nem Ingrid sabe sobre ele! – respondi olhando para as diversas luzinhas brilhando.
-Ingrid é sua irmã?
-Sim, minha irmã mais nova... E modelo de Bill!
-Entendi! Bom senhorita, você já me perguntou de minha vida e eu respondi, que tal falar um pouco de você? – sugere me fazendo olhá-lo.
-Bom... Minha vida é meio estranha, minha mãe nos abandonou muito cedo, fomos criados por uma tia que mais nos maltratava do que cuidava, Gustav teve que começar a trabalhar muito cedo por que ela só nos dava um teto pra morar, a comida e as despesas ele teria de pagar por nós! – respondi de cabeça baixa.
-Nossa! – ele também estava de cabeça baixa.
-Quando completei 16 conhecemos Simone, ela nos ajudou a sair da casa de nossa tia, começou a cuidar de nós três, pagou os estudos e alguns cursos que queríamos, Gustav escolheu administração de empresas, eu de fotógrafa e Ingrid quis seguir os passos do namorado, mas no caso quis desfilar suas roupas. – continuei esticando um chiclete recém tirado da caixinha.
-Que sorte encontrar alguém que mudou a vida de vocês pra melhor e não pra pior! – comenta com a voz embargada.
-E esse momento chegou pra você Tom, me deixa te ajudar, por favorzinho? – pedi virando de frente pra ele.
Tom passou a me encarar com mais intensidade, seus olhos tinham um brilho diferente de quando eu o conheci, seu rosto lindo, porém sofrido reluzia algo diferente, uma expressão doce e feliz apesar de tristeza que aparentemente carregava dentro de si.
-Você é feliz com seu namorado? – pergunta curioso com um tom de voz doce e suave.
-Há muito tempo não sinto mais aquela excitação que antes sentia, Dan passou a ser apenas um homem normal em minha vida, não o amo mais! – confessei ainda o olhando nos olhos.
-E por que ainda está com ele?
-Gustav não aceita nosso fim, tenho medo de feri-lo se terminarmos! – respondi me sentindo uma covarde.
-Então prefere sofrer somente para fazer seu irmão feliz com esse namoro? – pergunta fazendo uma careta fofa.
-Não tenho escolha! – respondi abaixando a cabeça.
-Deixa-me tirar esses pensamentos de sua cabeça? – pede sussurrando em meu ouvido.
-Como? – perguntei também sussurrando.
Tom puxou meu rosto indo de encontro á meus lábios, o beijo que começou lento passou a ser selvagem e cheio de desejo.
Mais uma vez estávamos ali prontos pra um momento cheio de emoções.
Tom deitou seu corpo por cima do meu enfiando sua mão gelada dentro de minha blusa me fazendo gemer pela frieza da mesma.
Nós dois sorrimos.
No mesmo instante que chegou a meus seios sua mão esquentou, meu corpo já ardia de tanto fogo, sua boca explorava meu pescoço dando mordidas sensuais e gostosas, meus gemidos já se dava para ouvir.
Passou para minha calça, tirando apenas até a metade da perna, voltou para meu queixo dando leves mordidas e lambidas excitantes.
Naquele momento eu queria Tom mais do que qualquer coisa em minha vida, me esqueci completamente que Dan existia nesse mundo, foi então que decidi que seria dele, somente dele.
Deixei minhas mãos descer até seu pescoço acariciando levemente enquanto sua boca explorava minha barriga, ao começar a descer mais fomos interrompidos por uma forte luz em nossos rostos.
Tom se levantou rapidamente com a mão no rosto enquanto eu vestia o restante de minha calça.
-Acho que as leis do país estão bem claras não é mesmo Carl? – pergunta um dos policiais para seu companheiro.
-Sim, sim e uma delas é sobre a proibição de sexo em lugar público! – concorda o outro parando para nos encarar.
-Sentimos muito pelo ocorrido! – me manifestei envergonhada.
-Olha senhorita, Carl e eu não temos costume de prender esses espertinhos que teimam em transar em vias públicas, portanto, deixaremos os dois irem! – diz o simpático senhor gordinho que me encarava com olhos acolhedores.
-Obrigada, irei pedir um táxi para nos levar de volta, sinto muito mesmo pelo o ocorrido! – agradeci pegando o celular logo discando para o taxista.
-Tenham uma boa noite! E vão para um lugar mais apropriado para o caso! – deseja me fazendo queimar de vergonha.
-Obrigada! – agradeci com o celular já no ouvido.
-Já é a segunda vez que isso acontece! – comenta Tom decepcionado, assim que desliguei o celular.
-Isso o que? – perguntei curiosa.
-Essa interrupção! – responde insatisfeito.
-Sinto muito Tom, a primeira poderia ter acontecido de boa, mas eu e minha maldita consciência não deixamos! – comentei olhando para a rua vazia.
-Vamos para outro lugar? – pergunta com carinha de coitado.
Iria começar a responder quando o maldito celular começou a tocar, fiz um gesto com a mão pedindo licença para Tom e o atendi.
-Pronto? – respondi sem ver de quem se tratava a ligação.
-Alê onde é que se meteu? São 23h, pelo amor de Deus o que houve? – pergunta Dan com uma voz preocupada.
-Estou bem Dan... – comecei vendo Tom balançar a cabeça em negativo. –Já estou indo para o hotel, apenas saí pra esfriar um pouco a cabeça, somente! – respondi sentindo uma pontada no peito.
-Onde você está? Diz-me que vou te buscar! – pergunta ansioso.
-Estou bem Dan, logo estarei aí! Beijos! – finalizei desligando em sua cara. –Sinto muito, mas nossa noite termina...
-Aqui! Entendo! – completa minha frase com uma voz de cortar o coração.
-Tom ainda está de pé à proposta de fugirmos quando Bill voltar á Alemanha ok? – mudei de assunto pra tentar reanimá-lo.
-Eu to com medo desse favor que Lyah quer de você! – comenta com uma expressão preocupada.
-Você tem noção do que poderia ser? – perguntei curiosa.
-Não, vindo de Lyah tudo é possível! Mas pode ter certeza que o que tenho em mente é bem provável! – diz observando o táxi se aproximar.
-E o que você tem em mente?
-Não vou tirar conclusões precipitadas, vamos! – responde cortando nossa conversa abrindo a porta do táxi para eu entrar.
Durante todo o caminho não tocamos em nenhuma palavra, como a rua em que Tom trabalha era antes do hotel em que estava ele foi o primeiro a descer.
Nem ao menos se despediu de mim, tive que enfiar o dinheiro rapidamente em seu bolso antes de dar as costas para mim.
Assim que cheguei ao hotel liguei para Gustav, pedi a ele que deixasse dormir consigo, o mesmo aceitou depois de muito perguntar o porquê não queria dormir com Dan.
Subi até o quarto que era “meu” até então, peguei algumas roupas e sem explicar saí do quarto me dirigindo ao de Gustav.
-Por que veio para cá? – pergunta Gustav abrindo a porta.
-Senti falta de seu calor durante a noite! – comecei me jogando em sua cama. –Lembra quando morávamos na casa da bruxa? – perguntei me referindo a minha tia.
-E como lembro, tínhamos que dormir todos juntinhos num colchão pequeno! – diz deitando ao meu lado.
Esperei Gustav se ajeitar na cama e logo após deite-me por cima do seu peito.
-Aqueles foram nossos piores anos! – comenta afagando meu cabelo.
-Mas acabou, pra nossa felicidade acabou! – exclamei feliz.
-Qual é o problema hein maninha? Não te vejo sorrir há dias! – pergunta parando de afagar meus cabelos.
-Não tenho motivos Gustav, não estou feliz com minha vida, o que quer que eu faça? – perguntei o olhando.
-Você não anda feliz por que Dan quase nem tem tempo pra você não é mesmo? Pode deixar que o farei desistir de alguns trabalhos pra dar mais tempo á você! – diz me fazendo broxar só de ouvir o nome dele.
-Ok Gustav, ok! – concordei decepcionada querendo acabar com aquela conversa.
E assim foi, não falamos mais nada, desliguei as luzes e ainda deitada sobre o peito de meu irmão, peguei num sono profundo...

1 comentários:
Até que enfim, lalalallalaa... Casal mais que perfeito!! Gustav deve ser um fofo de irmão!
Fabby
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