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domingo, 21 de agosto de 2011

Capítulo 22 - In Die Nacht







"Eu ouço quando gritas silenciosamente

Respiro cada fôlego teu

E mesmo que o destino nos separe

Não interessa o que venha, vamos partilhá-lo..."



Tokio Hotel - In Die Nacht



Às 16h em ponto o carro alugado de Bill estacionou em frente ao beco onde Tom trabalha, desci correndo dando de cara com Lyah na entrada de sua vitrine.


Engoli em seco encarando a bruxa de frente.



-Tom lhe deu o dinheiro que enviei por ele?

-Sim, uma ótima quantia senhorita, deve ser rica não?

-Rica? Han, não sou rica aquele dinheiro é fruto do meu suor!

-Uhum, entendo! E o que quer aqui?

-Quero passar a noite com o Tom, estou indo embora daqui á...

-Três dias! Já estou sabendo! – me interrompe. –E minhas fotos? Quando as terei?

-Ah claro, as fotos... – parei pra pensar. –Elas estão num estúdio de um amigo para melhoramento da imagem! – menti sem ao menos entender o que estava falando.

-Entendi! Poderá levar o Tom pra passar o restante da tarde, mas ele devera estar aqui às 20h em ponto, e claro o preço será um pouco maior!

-Pode cobrar o quanto quiser, eu pagarei! – avisei-lhe a vendo abrir passagem para mim.

-Bom divertimento! – deseja debochadamente.



Entrei rapidamente batendo em sua porta, a cortina estava fechada. Ao abrir o vi comendo algo.



-Oi! – diz assustado.

-Oi amor! O que faz aí?

-Almoçando!

-Agora?

-Hm, eu tava com... Cliente ainda agora! – diz sem graça.

-Ah entendi! Deixe seu almoço pra lá, comemos algo no caminho quero que conheça alguém!

-Lyah permitiu que eu saísse? – perguntou surpreso.

-Sim, terei de pagar o dobro, mas não me importo!

-Não sei como aceita esses abusos dessa velha! – diz revirando os olhos me puxando para dentro. –Espera aqui, vou ali me trocar!



Ele saiu para o vestiário que havia naquele lugar, o cheiro de sua marmitex exalava no lugar, me senti enjoada com aquele cheiro, confesso, e não aceitava de forma alguma que ele passasse por toda aquela situação.



-Pronto!

-Han, oi! Vamos então?

-Sim, deixa só eu jogar isso fora! – diz ainda sem graça pegando a marmitex quase terminada.



Saímos de mãos dadas de seu quarto, aos avistarmos Lyah separamos nossas mãos andando normalmente até o carro onde Bill se encontrava.



-Olá! – diz ao ver Bill.

-E aí mano? É... Tom! – diz Bill me olhando em seguida.

-E quem é essa pessoa que vamos conhecer?

-Minha tia Simone e mãe do Bill! – respondi do banco de trás, Tom sentou-se no da frente com Bill.

-Entendi! – na verdade, por sua expressão, não havia entendido nada.

-Chegamos, agora é só esperar! – diz Bill mostrando nervosismo tanto em sua voz quanto em seu rosto.



Entramos e ficamos esperando na sala de espera.

Estávamos calados, sentei-me no meio dos dois, com a cabeça deitada no ombro do Tom e segurando firme a mão trêmula de Bill, não entendia o porquê daquela tremedeira incontrolável.

O desembarque foi anunciado e pessoas começaram a aparecer do nada, Bill levantou-se rapidamente a procura de Simone, ao vê-la, saiu correndo para os braços da mãe, Tom e eu fomos nos aproximando aos poucos dos dois que matavam a saudade.



-Oh meu menino, fico longe três meses e você já emagrece dessa forma! – resmunga dando uma boa olhada em Bill. –Mas Alessandra não muda, sempre corpuda e saudável! – continua vindo me beijar.

-Tia esse é o Tom, meu... – iria terminar de responder, mas o choque foi imediato.



Assim que olhou para Tom, Simone desmaiou, caiu durinha, sendo apoiada por Bill e logo após recebendo ajuda do próprio Tom.



-Sou tão feio assim? – pergunta Tom assustado.

-Tom tem algumas coisinhas que você precisa saber do Bill! – comentei andando ao lado dele enquanto os dois levavam Simone para uma cadeira.

-Como o que? – pergunta sentando Simone na cadeira.

-Eu descobri hoje que tive um irmão... Gêmeo! – diz Bill, Tom não teve reação nenhuma com aquela resposta.

-E o que eu tenho a ver com isso?

-Ora Tom, você nunca se olhou no espelho não? – perguntei já ficando impaciente com aquela história toda de se parecerem.



Tom olhou para Bill, confuso.



-Você ta querendo dizer que sou o irmão... Não, não pode ser! – ele mesmo se interrompeu balançando a cabeça em negativo.

-Sim anjo, pode ser sim!

-O que houve? – Simone acordou tonta olhando para Bill.

-Oi mãe, a senhora teve um pequeno mal estar!

-Cadê? O rapaz que estava com a Alê? Cadê ele?

-Serve eu? – Tom se manifestou chamando a atenção de Simone.



Simone levantou-se rapidamente indo até Tom, segurou seu rosto e caindo no choro o abraçou deixando o cara mais confuso ainda.



-Senhora? – começa tentando ser gentil ao afastá-la. –É só uma grande coincidência, não sou nada da senhora! – Simone o olhou profundamente, seus olhos estavam marejados e Bill ao meu lado já não se segurava, chorava em silencio. –Pelo amor de Deus, parem com isso, não posso ser da família de vocês! – continua ficando sério.

-Por que não? – pergunta Simone ainda o observando.

-Que tipo de mãe seria a senhora pra deixar um filho se perder no mundo? – pergunta Tom com raiva no olhar.

-Não foi culpa minha!

-Olha de boa, não quero continuar com esse assunto, minha mãe morreu quando decidiu me dar para aquele casal! E pra meu azar nem aquele casal me quis, devo ter algo de errado para as pessoas me tratar da forma que tratam! – ele saiu furioso como um foguete.

-Licença tia, irei falar com ele! – saí correndo os deixando para trás.

-Tom? – ele andava rápido demais. –Dá pra você esperar? – ele parou.

-O que tem de errado nas pessoas? Só por que me pareço um pouco com o cara já estão dizendo que sou o irmão gêmeo perdido no mundo! Fala sério! – ele parecia decepcionado, voltou a andar rápido, mas dessa vez grudei em seu braço pra acompanhá-lo.

-E se realmente você for irmão dele? – perguntei praticamente sendo arrastada por ele, mais uma vez ele parou.

-Se isso acontecer, eu não irei fugir do país com você! Não pra ficar perto da pessoa que não me quis! – mais uma vez voltou a andar, porém eu fiquei congelada no lugar.

-Abriria mão de mim por isso? Sem ao menos saber dos motivos de Simone? – perguntei sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.



Ele parou de costas pra mim, virou-se e veio até mim.

Secou a lágrima que caía de meu olho e pegou em minha mão voltando a andar na direção que Bill e Simone estavam.

Simone chorava sentada ao lado de Bill que a consolava.



-Quero pedir desculpas pelo o que eu disse! – começa Tom sentando ao lado de Simone. –Olha, não quero que se precipite, talvez eu realmente não seja esse filho, aliás, o que houve pra... Pra eu parar aqui?



Simone respirou fundo, pediu pra Bill nos levar de volta para o hotel e lá sentamos os quatro para conversar...



***



Já eram 20h30 e nada de Tom aparecer.

Lyah andava de um lado para o outro, preocupada, a noite estava quieta e sombria, decidiu pegar um dos outros garotos para servir de segurança e foi para casa convicta de que Tom teria seu castigo no dia seguinte.



-Não terminamos nossa conversa Lyah! – a voz de Jörg a fez congelar.

-O que quer de mim Jörg? – pergunta se agarrando com o garoto.

-Sinto que quer passar a perna em mim! E claro que isso eu não permitirei, não deixarei acabar com a guerra que há anos decretei contra Simone, até hoje aquela desgraçada deve se remoer de saudades do outro gêmeo!

-Acha mesmo que não irei ganhar dinheiro à custa da pobre mamãe desconsolada? Não seja tolo Jörg, nenhuma ameaça sua irá me parar!



Lyah deu as costas para Jörg entrando em seu carro acompanhada do garoto, obviamente Jörg não deixaria aquilo barato...



***



-Então aceitarei fazer o teste! Somente pra deixá-la mais feliz!

-E realmente me deixará feliz, muito, demais meu querido! – Simone não conseguia conter a felicidade.

-Bom, agora terei de voltar para... – ele parou, pois Simone não sabia do que trabalhava. –Para casa!

-Você mora com sua mãe adotiva? – pergunta curiosa.

-Não! Eu moro numa...

-Republica! Tom não é estudante, mas mora numa republica! – interrompi odiando ter que mentir pra ela.

-Ah claro! Entendo o esquema de republicas, nunca pode chegar tarde! Vai sim e vai com Deus! – deseja o beijando, um beijo tão carinhoso que até mesmo eu senti.

-Obrigado! Até amanhã... Talvez! – ele me puxou para fora do quarto. –Só você mesmo pra me fazer passar por essas coisas, Lyah deve estar furiosa comigo! – comenta quase sussurrando já no corredor.



Não respondi nada, o puxei para meus lábios e o encostei-me à parede junto dele, ele sorriu assim que nos separamos.



-Louca!

-Por você, somente! Aliás... – toquei sua barriga olhando para a mesma. –Já estou com saudades do seu corpinho! – continuei fazendo bico.

-E você acha que não estou com saudade do seu?

-O bom que nosso dia está chegando e você vai morar comigo em meu apê! Claro se quiser!

-Se não se importar em ter alguém chato como eu no seu pé...

-Jamais! Vou adorar ter que ficar grudada em você quando você bem quiser! – brinquei grudando novamente nossos lábios.



Nos beijamos por mais alguns longos segundos e assim que desgrudamos Tom desceu...



***



Lyah passou numa padaria antes de ir de vez para seu apê, estava pensativa e séria, queria Tom e não aquele que nunca foi de conversar com ela.

Comprou o que queria e voltou para o carro.

Ao chegar, arrumou o quarto que sobrava em seu apê para o garoto, comeu algo e se trancou no seu.



-Aquelas noites de amor com você me serviram de alguma coisa não é mesmo Lyah? Suas chaves ainda estão comigo...

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