"Oh diz-me que eu não sou a única
Que passo por isso tudo
Ooh as vezes eu sinto-me como se fosse a única
A passar por isso tudo..."
(Alicia Keys - The Thing About Love)
Um mês depois...
Estava tudo pronto para o julgamento de Tom, o via sempre nos dias de visita, estava magro e pálido, pois não conseguia ingerir nada daquele lugar.
-O senhor o viu hoje? Como está? – perguntei assim que o advogado adentrou o local onde haveria o tal julgamento.
-Está tranqüilo! Tom não deve nada para ninguém Alessandra, fique calma, pois mesmo se alguém quiser acusá-lo de algo, teremos a justiça a nosso favor. – ele me acalmou entrando numa sala que somente autoridades podiam entrar.
-Nenhuma noticia de Jörg? – perguntei num cochicho para Bill ao meu lado.
-Nada, o Dr. Santiago colocou detetives particulares atrás dele, já que a policia sem provas não irá correr atrás! – ele sussurrou também revirando os olhos.
-Vai começar, por favor, entrem e fiquem em silêncio! – um policial saiu da sala nos dirigindo para outra onde ocorreria todo o processo.
***
Tom estava ao lado de Santiago, esse que tinha calma no olhar.
A primeira testemunha foi chamada, o advogado então se aproximou da senhora começando seu interrogatório.
-Senhora Juanes, no dia 15 de junho a senhora testemunhou que Tom Hernandes havia assassinado Lyah Montenegro, onde exatamente a senhora se encontrava no momento da morte?
-Eu ouvi o barulho do elevador parando no nosso andar, pensei ser meu marido, pois ele sempre chega naquele horário...
-E que horas eram?
-20h00! – o advogado sorriu de canto.
-Continue seu relato, por gentileza!
-Vi aquele homem... – ela apontou para o Tom. –Saindo do mesmo elevador desconfiado, e entrando sem vergonha na cara, no apartamento de Lyah, minutos depois ouvi disparos vindo do mesmo!
Um murmurinho se fez presente naquela sala.
-Silêncio! – ordena num grito o juiz.
-Senhora Juanes, a senhora tem algo contra meu cliente Tom Hernandes?
-Em minha opinião, garotos de programa deveriam ser todos presos, uma pouca vergonha ganhar a vida assim tão facilmente! – resmunga a velha olhando feio para Tom.
Mais uma vez um murmurinho se fez presente.
-Silêncio! Senhora Juanes a senhora não tem o direito de julgar as pessoas e suas opções trabalhísticas! – repreende o juiz. –Continue doutor!
-A senhora afirma ter ouvido disparos, certo?
-Sim, foram três no total!
-Três disparos! – o advogado suspirou. –E como a senhora me explica o fato de ter sido encontrado apenas um projétil e ainda de uma silenciosa no corpo de Lyah na autopsia?
-Silenciosa? – ela engoliu em seco.
-A senhora está mentindo apenas por não gostar do rapaz senhora Juanes? - pergunta o juiz arqueando uma sobrancelha, nervoso.
-De forma alguma... – ela gaguejava.
-Segundo a senhora, o rapaz havia chegado as 20h00 no apartamento de Lyah, porém exatamente as 20h35 segundo as câmeras de vigilância do hotel onde a senhorita Alejandra Dominguez está hospedada, o rapaz deixava o hotel seguindo para o local onde trabalha, e somente as 20h57 havia entrado novamente num táxi rumando para o prédio em questão! – o advogado então entregou os dvd’s com as imagens de vigilância.
-A senhora sabe que poderá sair daqui presa por estar mentindo, não sabe senhora Juanes? – indagou o juiz.
-Ok, eu o vi apenas quando chegou e entrou no apartamento dela...
-Retirem essa mulher daqui! – ordena o juiz nervoso. –Próxima testemunha.
A senhora Altieri entrou com ajuda de um dos policias, sentou-se, olhou Tom com ternura e em seguida fez os juramentos necessários.
-Senhora Miriam Altieri, onde a senhora encontrava no dia 15 de junho?
-Em meu apartamento!
-Ouviu algo de estranho? Discussões, batidas de portas...?
-Eu ouvi o elevador parando em nosso andar, pensei ser Lyah, corri até a porta para verificar se Tom não estava junto dela, pois ele sempre ia dia de terças para o apartamento dela, a lâmpada de meu quarto havia queimado e o zelador do prédio não podia me ajudar, pois estava sozinho na recepção, mas não era Lyah e sim o até então companheiro dela...
-Lyah tinha um companheiro?
-Sim, sim! Ele até tinha permissão para subir a hora que quisesse!
-A senhora sabe o nome ou saberia reconhecê-lo?
-Não sei o nome, mas saberia sim reconhecê-lo!
-Se o meritíssimo permitir! – o advogado pediu permissão para o juiz que assentiu com a cabeça.
O advogado então pegou um dos dvd’s em cima do balcão e o colocou no aparelho, segundos depois as cenas de pessoas entrando e saindo do prédio onde Lyah residia se mostrava na tela de tv plasma na sala do julgamento.
-Aquele! É aquele o homem! – a senhora logo se animou ao ver as imagens de Jörg.
-Oh Deus é o Jörg! – exclamou Simone em agonia.
-A senhora o conhece? – perguntou o juiz.
-Sim, é meu ex-marido, saiu fugido da Alemanha, pois o acusei de seqüestrar nosso próprio filho!
-E já encontrou seu filho senhora? – o juiz nem reparou que havia fugido do assunto em questão.
-Agora mais do que nunca estou certa de que Tom poderá ser meu filho sequestrado!
O juiz olhou para Tom, não disse mais nada apenas deu sinal para que o advogado prosseguisse com seu interrogatório.
-Vejamos o que houve na vida deste rapaz... – começou o advogado apontando para Tom, seguindo para o banco dos jurados. –Fora acusado injustamente de algo que não cometeu, passou um mês preso pagando pelos atos de outro criminoso, esse que já é foragido da policia de outro país e está por aí, com certeza cometendo outros crimes mais! Isso é certo senhoras e senhores? – ele se curvou diante dos jurados. –Enquanto um inocente, que luta para sair da vida que se encontra, pois a senhorita Dominguez aqui presente pretende iniciá-lo como modelo para tirá-lo da vida que para muitos é uma vida errada, o verdadeiro culpado está por aí, cometendo outros crimes quem sabe ainda piores! – ele deu uma pausa, pensativo. –Isso é tudo meritíssimo! – sentou-se vitorioso ao lado de Tom.
-Daremos uma pausa de 30 minutos para sabermos dos resultados! – o juiz bateu o martelo e se retirou da sala.
***
Tom foi levado para uma sala, não podia falar com ninguém, sentei-me ao lado de fora sentindo meu peito apertar de tristeza, Simone sentou-se ao meu lado me abraçando logo após.
-Vai dar tudo certo, e você verá que sairemos daqui com Tom ao nosso lado! – diz tentando me confortar dando-me um beijinho na testa.
-Espero tia, não agüento mais essa falta que ele me faz! – comentei deitando-me em seu ombro.
-Hei mocinha, toma, você precisa se alimentar! – Georg chegou com uma porção de batata frita do Mc e um suco de uva.
-Não quero Ge, não tenho fome!
-Mas você precisa comer Alessandra, pare com isso e come logo!
Dei-me por vencida, eu sou louca por batatas fritas e vê-las daquela forma estava me tentando, até por que estava sem comer direito já há alguns dias.
Comi em silêncio, aliás, todos estavam em silêncio.
O tempo passou e nem percebi quando o policial veio nos avisar que a sessão voltaria com o resultado, senti meu coração apertar, estava com medo confesso, queria que todo aquele tormento acabasse de uma vez, e seria naquele exato minuto que acabaria...

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