"Às vezes a vida é má e eu não consigo ver a luz
Um forro de prata as vezes não é suficiente
Para fazer alguns erros parecerem certos
O que quer que a vida traga
Eu já passei por tudo e agora, caio de joelhos de novo..."
Creed - Don't Stop Dancing
Passei a noite em claro, chorando em silêncio.
Parecia que aquilo não passava de um terrível pesadelo, não queria fechar meus olhos, não queria me agasalhar sabendo que ele estava sentindo aquele frio da noite. Realmente não parece... Isso é um pesadelo.
O dia amanheceu negro de chuva, meus olhos já estavam secos quando dei por mim que já havia amanhecido, estava num momento mórbido, triste, angustiado. Queria poder passar por tudo isso perto dele, estar de mãos dadas ao meu anjo, ao meu amor.
Parece loucura como tão depressa eu pude me apaixonar, mas creio que qualquer mulher em minha situação alimentaria por ele o sentimento que hoje sinto.
Levantei-me da poltrona onde passei a noite, meus ossos parecia que foram dobrados como cadeiras de praia, gemi de dor quando me estiquei.
Fui até minha mala, procurei algo confortável e entrei no banho.
Não estava com paciência de tomar banho numa banheira, minhas lágrimas desciam ao lembrar-me dos filmes que assistia, em que prisões os carcerários não tinham mordomias, tomavam banho gelado, dormiam no chão e até mesmo comiam mal.
Terminei o banho rápido, sequei-me e coloquei a roupa que escolhi, estava sem fome quando ouvi as batidas na porta.
-Bom dia! – Georg entrou na companhia de Gustav em meu quarto.
-Não amanheceu muito bom, mas vou agüentar... – parei para suspirar. –Preciso agüentar! – finalizei deixando que as lágrimas molhassem a roupa limpa.
-Alê não fique assim, Tom não é culpado e você sabe disso! – Gustav veio me abraçar.
-Aquelas velhas o acusaram Gust!
-Não importa acusações sem provas é a mesma coisa que nada! O advogado do Bill é ótimo, já está arrumando tudo pra que Tom saia o mais rápido possível daquele lugar! – ele tentou me confortar.
-Quanto tempo isso vai durar?
-Bill saiu cedo com a tia, ele me garantiu que o doutor já conseguiu algo que possa livrar a cara do Tom! – Georg se pronunciou sentado á beirada de minha cama.
-Jura? E você sabe o que?
-Eu ainda não sei, mas tenho certeza que Bill logo dará noticias! – avisa me olhando com dó.
-Mas uma coisa é certa, Tom não ficará preso sendo inocente e tendo um advogado tão bom quanto o Dr. Santiago.
-Que Deus te ouça Gust! – deitei-me sobre seu colo ficando todos em silêncio...
***
Bill esperava alguém na recepção daquele prédio, haviam fornecido ao advogado o nome de uma das possíveis testemunhas a favor de Tom, alguém com a alma bondosa teve a coragem de chegar à delegacia para depor a favor daquele que fora acusado injustamente.
-Bom dia! – deseja a senhora de aproximadamente 60 anos.
-Bom dia senhora! Está bem?
-Na medida do possível... – ela sentou-se ao lado de Bill. –Aquele rapaz não merecia ser acusado daquela forma, Tom sempre veio obrigado por Lyah para cá! Ele é um anjo em pessoa, sempre me ajudava quando precisava trocar algo em minha casa, moro sozinha e ele sempre aparecia nos momentos que mais precisei, sei que nunca faria algo do tipo, até por que... – ela parou para suspirar. –Eu vi o homem que entrou antes de Lyah chegar! – finaliza passando a mão no rosto.
-E a senhora poderia descrevê-lo? – pergunta Dr. Santiago.
-Sim, já o vi diversas vezes por aqui, não sei o nome, mas sempre ouvia discussões de Lyah com ele!
-A senhora aceitaria ser testemunha do...
-Com toda certeza, não gosto de injustiça, aliás, acho que ninguém gosta então sim, eu aceito ser testemunha do garoto! - ela mostrava no olhar compaixão ao falar de Tom.
-Obrigada, a senhora não tem noção como é ver um filho atrás das grades! – exclama Simone aos prantos.
-Mãe, mas nem sabemos se ele realmente é...
-É sim, eu sinto isso Bill, ele é meu filho! – interrompe alterando a voz. –Mais uma vez lhe agradeço!
-Não precisa agradecer querida, ajudarei no que for possível!
Despediram-se da senhora, o advogado lhe prometeu deixar um segurança particular para lhe proteger caso o assassino estiver ainda ao redor e saíram em direção ao hotel...
***
Gustav e Georg me deixaram sozinha para pensar, eu definitivamente não estava com cabeça para conversas, não queria aquilo para ele, mesmo que não o amasse aquilo não era justo para um inocente.
Repousei minha cabeça no travesseiro deixando que as lágrimas o molhassem, não precisava de força para que elas caíssem só o aperto que me agoniava o coração as faziam sair sem permissão.
Estava quase pegando no sono quando meu celular tocou, levantei-me apressada imaginando ser Bill com noticias e não estava errada.
-Alô Bill, e aí o que houve?
-Conseguimos uma testemunha a favor, Alê!
-Que ótimo!
-Sim! E mais, o advogado foi até o IML, constataram que Lyah morreu por volta das 20hrs, Tom estava conosco nesse horário, ele tem um álibi á seu favor! – a voz de Bill parecia animada.
-Oh Deus, sim ele saiu daqui era 20h30min! – exclamei feliz quase que dando um pulo da poltrona que sentei para conversar com Bill.
-Ta vendo, nem tudo está perdido linda, vamos tê-lo ao nosso lado o mais rápido possível!
-Assim espero, e o advogado foi vê-lo hoje? – perguntei querendo noticias.
-Sim, só ele pôde entrar, disse que está cabisbaixo, perguntou por diversas vezes como você estava, está triste Alê, mas isso vai passar, temos que confiar! - as lágrimas voltaram a molhar minha roupa. -Alê não chore, sei que é um momento difícil, mas ele não é o culpado, entenda isso, odeio te ver assim! – Bill estava agora, angustiado por me ouvir chorar.
-Eu vou ficar bem, Bill! – sussurrei entre soluços.
-Bom, vou desligar, te amo e nunca se esqueça disso!
-Não, nunca esquecerei! – finalizei desligando o celular.
Desliguei o celular sentindo a fome bater, não havia comido desde que soube da prisão dele, peguei o telefone e liguei para a recepção, assim que fiz o pedido sentei-me de frente á varanda do quarto observando o findar daquele dia frio e chuvoso, ouvi batidas na porta, fui atender convicta de que seria meu pedido, mas não era.
-Você sumiu! – comentei revirando os olhos dando passagem para ela.
-Eu fiquei trancada no meu quarto por esses dias! – Ingrid parecia abatida.
-E o que a fez sair para vir justamente até meu quarto? – perguntei indiferente.
-Pedir perdão, maninha você sempre foi a melhor irmã do mundo, e eu simplesmente ignorei isso! – lágrimas se formaram em seus olhos.
-Ingrid, por favor sem drama!
-Não é drama! – Ingrid alterou a voz. –Eu também fui culpada disso tudo, deveria ter rejeitado assim que aquele traste me cantou pela primeira vez!
-Agora ele é traste? – perguntei me fingindo de surpresa. –Ora Ingrid, por que não continua com ele? Bill não voltará pra você querida, não mesmo!
-Pare de ser fria comigo Alê! – suplicou num grito choroso.
-Acho que frieza é bem melhor do que traição não é mesmo maninha? – comecei a olhando sério. –Olha Ingrid, Gustav se matou de trabalhar na nossa adolescência só pra termos o que comer, sempre nos ensinou tudo de melhor que essa vida poderia oferecer, e olha só pra você? Apegada na merda do dinheiro, você é ambiciosa, egoísta, egocêntrica, uma pessoa que pra mim se tornou desprezível...
-Não fale assim Alê, eu te amo tanto!
-AMA? – me alterei nervosa. –Não parece Ingrid, você tanto não me ama quanto não amava seu próprio namorado, que mesmo com toda birra que você fazia, te amava como um louco, e o que você deu em troca daquele lindo amor de Bill? TRAIÇÃO porra! – senti meu rosto queimar de raiva.
-Eu sei, por isso estou aqui, quero lhe pedir perdão Alê, por favor não rejeite minha irmã, você pode me expulsar de sua vida, mas não rejeite meu sincero pedido de perdão! – ela se ajoelhou chorando demais em minha frente.
Senti meu mundo cair vendo aquela cena, por mais que tenha recebido dela aquela traição e mesmo não sendo tão apegada á ela como sou á Gustav, ela era minha irmã, sangue do meu sangue e não estava satisfeita em vê-la naquela situação.
-Levante-se, não seja ridícula! – tentei me manter firme naquela pose de durona. –Você não merecia meu perdão, mas se tem algo que aprendi com Gustav e sei que levarei para o resto da vida e não odiar e saber perdoar! – parei para respirar fundo segurando as lágrimas. –Eu te perdôo Ingrid! – finalizei a sentindo em meus braços.
Eu já estava sensível, sentindo o cheiro dela fiquei ainda mais, ficamos ali chorando juntas, num elo de amor fraternal que mesmo depois de uma traição vinda dela, nunca se quebrará...
Não estava lembrada que a Deluxe só tem 26 capítulos, portanto faltam dois capítulos para o fim! =/
Aliás, a Deluxe foi a última fanfic que escrevi antes de ter o bloqueio mental e paralá, então, preparem-se para um final chato! (n)
Beijos.

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